Blogue do Doce Veneno

Wednesday, December 23, 2015

CAMINHEI TANTO...














Já caminhei tanto que já não sou...
Gente por todo o lado que não interessa,
um refúgio, refúgio,  bem depressa
onde possa abrigar quem malcançou.

A mulher lançaria, se soubesse,
ao abismo agastada... Transformou
o ser pensante que ainda sou
num horrendo verme que ninguém preze!

Pensa-se,  que olhar um rosto lindo
que do passado em bruma vem surgindo,
é verdadeira imagem do desejo...

Puro, desnudado estoque vem brandindo
sem piedade,  respeito, sem sentido,
apenas porque é doida e não tem pejo.

Pombal, 23 de Dezembro de 2015
Luís Filipe.